Preocupado com seu nível de Inglês? E como está o seu Português?

Não há dúvida de que ter um bom nível de Inglês é muito importante para qualquer profissional que deseja avançar na carreira. Para algumas posições, especialmente cargos de gestão, ter fluência no Inglês é requisito básico. No entanto, ser fluente na Língua Inglesa e não saber escrever e falar direito em Português pode ser um obstáculo para o crescimento profissional. Como consultor na área de gestão estratégica da marca pessoal (personal branding), posso garantir que cometer erros de Português causa péssima impressão no seu interlocutor e provoca estragos em qualquer estratégia de marketing pessoal. Se você está aí muito preocupado com seu nível de Inglês, fica a dica: primeiro cuide do seu Português para não passar vergonha no mercado de trabalho e atrasar o desenvolvimento da sua carreira.

Por conta da minha atividade profissional, converso com frequência com decision makers de empresas, como CEOs, diretores e gerentes, assim como profissionais da área de Recursos Humanos (headhunters, analistas e gerentes  de RH). Nessas conversas, invariavelmente escuto relatos sobre profissionais que estão preocupados com seus níveis de Inglês, mas que sequer conseguem escrever um e-mail ou uma carta de apresentação sem erros grotescos de Português. Quem atua na área de RH também comenta que basta entrar no LinkedIn para ver gente cometendo equívocos básicos no uso da nossa língua em posts publicados até mesmo por pessoas em posições de liderança – o que é ainda pior, pois passa a impressão de que aquele profissional não é capacitado para estar naquela posição.

Em uma das empresas em que atuei antes de me tornar empreendedor/consultor/palestrante, havia um diretor que era doutor e fluente em Inglês. No entanto, infelizmente virou piada nos corredores da empresa por conta dos grosseiros erros de Português que cometia ao falar e escrever – não me pergunte como ele podia ser fluente em Inglês e não saber lidar com a própria língua nativa. Uma vez fui copiado em um e-mail no qual ele confundiu as expressões “ao encontro de” e “de encontro a” e provocou um enorme mal-entendido com outros diretores. O resultado é que aqueles vacilos constantes prejudicavam a sua credibilidade junto à Diretoria e aos colaboradores.

Para quem está à procura de uma nova posição no mercado, o cuidado com a Língua Portuguesa deve ser redobrado. Recrutadores estão todos os dias aqui no LinkedIn esquadrinhando perfis e, como você já deve saber, observando tudo o que você publica. Um erro desse tipo pode até mesmo eliminar você de um processo seletivo ou acabar com uma possibilidade de promoção. Como uma empresa colocará uma pessoa que não sabe se expressar direito em um cargo de maior relevância e visibilidade?

Pode parecer uma obviedade, mas é o tipo de coisa que precisa ser dita sempre: quem tem o costume de ler, escreve melhor. Quantos livros você lê por mês? Por ano? Sua única fonte de leitura diária não pode ser apenas o Facebook e outras redes sociais. Infelizmente, como mencionei acima, é exatamente nas redes sociais que você vê muita gente cometendo erros primários de Português. O WhatsApp, apesar de ser um ferramenta do qual não podemos abrir mão hoje em dia, também não colaboram muito para aprimorar o Português: é comum o uso de abreviações e de outras expressões próprias de quem usa aplicativos de mensagens instantâneas, sem falar na substituição de palavras por emoticons. Portanto, para melhorar o nível de Português, é preciso ler. Ler muito. Se você não gosta de ler livros, encontre outra coisa para ler. Pode ser revistas, sites de notícias, bula de remédio. Todas essas opções provavelmente terão poucos erros de Português em seus textos e ajudarão você a qualificar a escrita e a fala na nossa língua.

De qualquer forma, para ajudar você a evitar – ou pelo menos reduzir – os erros de Português na língua escrita ou falada, selecionei aquelas que considero as principais 15 palavras ou expressões que mais costumam colocar os profissionais em situações constrangedoras no mercado de trabalho. Se preferir, copie o link desse artigo e consulte-o sempre que estiver em dúvida antes de escrever aquele e-mail para o chefe, possível futuro chefe ou um cliente. Não deixe que um erro de Português arranhe sua reputação e comprometa aquilo que você tem de mais valioso no ambiente profissional: sua marca pessoal.

Seguem abaixo as 15 palavras/expressões que você não pode errar:

1 – “Há três anos” / “há três anos atrás”

Esse é um erro clássico, principalmente na língua falada. Lamento dizer isso, mas é muito comum aparecer em posts aqui no LinkedIn. A forma correta é “Há três anos” porque dizer “Há três anos atrás” é uma redundância.

2 – “A” / “há”

Um erro muito parecido com o do item anterior. A forma correta é “Atuo no segmento de marketing há 15 anos” e não “a 15 anos”. Por quê? Porque estamos usando o verbo haver. Não confundir com a preposição “a” usada para indicar distância ou ação futura, como na frase “Vou falar com o meu irmão daqui a seis dias”.

3 – “Seguem anexos” / “Seguem anexo”

Você com certeza já usou essa expressão ao mandar um e-mail com um anexo, certo? Pois saiba que a forma correta é “Seguem anexos os arquivos” porque, neste caso, “anexo” é um adjetivo e deve concordar em gênero e número com o substantivo a que se refere. A expressão “em anexo” também pode ser usada, desde que você a use como ela é, uma locução invariável. Exemplo: Segue a informação em anexo.

4 – “Ao encontro de” / “De encontro a”

Não cometa esse erro! São duas expressões diferentes e que, usadas de maneira equivocada, podem provocar até mesmo um mal-entendido, como mencionei acima. Vamos lá:

- A expressão “Ao encontro de” sinaliza a ideia de harmonia, como na frase “Os gestores estão felizes, afinal, a sugestão do RH veio ao encontro de algo que haviam solicitado”.

- Já a expressão “De encontro a” expressa a ideia de oposição, como na frase “Os gestores não estão felizes, já que a sugestão do RH veio de encontro ao que haviam solicitado”.

Atenção. São coisas bem diferentes!

5 – “Discriminar” / “Descriminar”

Discriminar significa diferenciar, separar. Já descriminar significa inocentar, absolver. Portanto a forma correta é “você precisa discriminar os serviços na sua nota fiscal”. Na língua falada, as palavras ficam praticamente iguais, mas na língua escrita você não pode errar.

6 – “Através” / “por meio”

Essa dica é para quem usa a palavra através com frequência de forma errada, principalmente na língua falada. “Por meio” significa “por intermédio”. Já a palavra “através” remete à ação de “atravessar”. Portanto, o correto é escrever “Conheci aquela empresa por meio de uma indicação” e não “através de uma indicação”.

7 – “A princípio” / “Em princípio”

Eis aí duas expressões muito usadas no meio corporativo. Tome cuidado ao usá-las.

“A princípio” é igual a “no início”, enquanto “Em princípio” quer dizer “em tese”. Portanto, o certo é dizer “Em princípio, era para essa regra estar sendo cumprida”, assim como está correto dizer “A princípio, confiei nele”.

8 – “A nível de” / “Em nível de”

Essa situação confunde muitos profissionais. Para não errar, entenda que a expressão “Em nível de” deve ser usada quando se refere a “âmbito”. Já “a nível de” significa “à mesma altura”. Dois exemplos para entender a diferença:

- A decisão será tomada em nível de direção.

- A cidade fica ao nível do mar.

9 – “Perca” / “perda”

Esse erro é capaz de “queimar o filme” de qualquer profissional, sobretudo se ele é um gestor. As duas formas existem na Língua Portuguesa, mas são coisas diferentes. “Perca” é o verbo e “perda” é o substantivo. O verbo é usado na frase “Não perca a esperança”, por exemplo, enquanto o substantivo está presente em “Foi enorme a perda de bons profissionais na empresa neste ano”. Ficou claro?

Não perca uma oportunidade profissional por conta de um erro desses. Seria uma grande perda!

10 – “Retificar” / “Ratificar”

São duas palavras de escrita muito semelhante, mas com significados totalmente diferentes. Parece pegadinha, não é?  “Ratificar” significa confirmar e “retificar” é o mesmo que corrigir. Portanto, com esse artigo estou aqui ratificando a importância de retificar seus erros de Português. Ok?

11 – “Senão” / “Se não”

É o típico caso em que estar junto ou separado faz toda a diferença e pode criar problemas de entendimento. “Senão” junto significa “caso contrário “ ou “a não ser”. Já o “se não” assim separado é para ser usado na condicional, como na frase “Se fizer sol, nós vamos à praia”.

12 – “A fim” / “Afim”

Se você quer passar a ideia de finalidade, deve usar a locução “a fim”, como em “nós estamos aqui a fim de achar uma solução”. Mas se o objetivo é falar de semelhanças, use “afim”, como na frase “Eles têm pensamentos afins”, ou seja, têm ideias parecidas.

13 – “Meio” / “Meia”

Que fique claro: não existe “meia incomodada”! Existe “meio incomodada”. A palavra “meio”, no sentido de “um pouco”, é invariável. No entanto, se for numeral, concorda com o substantivo, como no caso da frase “Ela comeu meia melancia”.

Não confundir com meia, aquilo que a gente põe no pé.

14 – “Chegar em” / “Chegar a”

Verbos que passam a ideia de movimento exigem a preposição “a”. Portanto, o correto é dizer “Eles chegaram a São Paulo na semana passada”.

15 – Menos” ou “Menas”

Essa dica eu deixei por último de propósito porque é um erro TERRÍVEL que eu tenho certeza de que você JAMAIS cometeu. De qualquer forma, é simples assim: a palavra “menas” não existe! Portanto, mesmo quando você se referir a palavras femininas, use sempre “menos”.

Exemplo: Havia menos mulheres na empresa naquele dia.

BÔNUS:

Tome muito cuidado ao usar a crase. Se você tem dúvidas, consulte uma gramática ou o Google.

Esse artigo ajudou você a escrever e a falar melhor em Português? Qual é a sua principal dúvida no uso da nossa língua? Você acha que os erros de Português podem comprometer muito a carreira de um profissional? Compartilhe nos comentários as suas dúvidas e opiniões!